quinta-feira, 22 de setembro de 2011

História da Fazenda Itaitindiba

Fazenda Itaitindiba: relíquias e moradia

Mais um dia percorrendo as estradas de terra batida e chegamos à Fazenda Itaitindiba, em Santa Isabel, também conhecida como Minifazenda do Vovô Jorge. Lá, fomos recebidos pela família Santos Magalhães. O advogado Alfredo Jorge, de 83 anos, um senhorzinho simpático e cheio de histórias para contar, dá nome à terra que divide com a mulher Ilka, a filha Maria Cecília e os quatro netos.

A fazenda foi comprada pela família em 1969 e é o endereço dos Magalhães desde então. Maria Cecília conta que a terra pertencia a um padre, que a teria deixado para a filha, Laura Soares de Farias. Com a morte do marido e do filho, ela fez um testamento deixando a propriedade para o casal de netos, com quem a família Magalhães concretizou o negócio.

Maria Cecília revela que antes da compra a propriedade ficou abandonada por 30 anos. Com isso, o casarão com estilo colonial teve que ser reformado. Mas, para a obra, a família tentou manter ao máximo as características originais da construção. E parecem ter conseguido.

A casa surpreende pela arquitetura. No local, ainda é possível encontrar um antigo engenho desativado e as ruínas de sua chaminé. Madeiras do engenho foram aproveitadas na reforma do casarão. Os proprietários contam que também encontraram paredes assentadas com óleo de baleia.

Outra relíquia da fazenda é a capela de São José, que Cecília faz questão de frisar, “foi aprovada pelo Papa e data de 1811”. Mas também foi preciso reformas na capela.

“Infelizmente, em 1987, a imagem do altar, representada por um São José de saia, do século XVII, foi roubada. Quando compramos a fazenda, achamos um documento de 1700, com a imagem toda pintada a mão. Acredito que muitos outros documentos que mostram a história desse lugar também devem ter se perdido ao longo desses anos em que a casa ficou abandonada”, diz Cecília.

A fazenda teria sido fundada por jesuítas em 1600. Quando comprou a propriedade eram 200 alqueires, mas depois de um período de dificuldades financeiras Alfredo Jorge vendeu parte da terra para outra fazenda próxima e hoje administra 30 alqueires.

Para Cecília, a maior dificuldade atualmente é encontrar mão de bra especializada na região. Ela enfatiza que muitos ainda desconhecem este lado da cidade e que gostaria que a Prefeitura retomasse iniciativas já realizadas com o objetivo de incentivar o turismo rural.

“Chegamos a participar de eventos, como a 1ª Caminhada Internacional na Natureza, em 2006, e a Cavalgada Eco-Rural, mas depois não aconteceram outros projetos. Também construímos um espaço com quartos que poderia funcionar para a estadia dos visitantes e até promovemos visitas guiadas, mas sem apoio fica muito difícil manter essas atividades”, afirma Cecília.

Assim como os filhos, que só deixam a fazenda para estudar, Cecília vai à cidade só para trabalhar e diz que, apesar da distância, não abre mão da vida na fazenda: “Essa experiência é maravilhosa”, diz.

http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/o-flu-revista/no-clima-rural
Acessado em 22 de setembro de 2012